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O barco e a bola

Galileu, no seu notável livro Diálogo sobre os dois maiores sistemas do mundo, descreve peixes nadando num aquário, pássaros voando, bolas caindo, tudo isso na cabine fechada de um barco. Os peixes, os pássaros e as bolas comportam-se exatamente da mesma maneira, quer o barco esteja parado, quer ande com velocidade constante. Assim, olhando para esses objetos, não se pode saber se o barco está parado ou andando com velocidade constante. Pode parecer estranho que um pássaro, por exemplo, uma gaivota que tenha entrado por engano dentro de uma escotilha, vá com o barco, porque a ave paira no meio da cabina, isolada das paredes, mas a verdade é que vai. Do mesmo modo, uma mosca que entra no metrô numa estação, quando o comboio arranca em grande velocidade, não fica para traz e vai com o trem. Acontece que nem o pássaro nem a mosca estão, de fato, isolados das paredes! O pássaro só voa porque existe ar à sua volta, ar este que é arrastado pelas paredes. Também o peixe só nada porque tem água no aquário e o aquário vai com o barco. Se o pássaro pudesse pairar, ignorando o barco, seria bem divertido... Isso significaria, por exemplo, que algumas viagens intercontinentais seriam fáceis e baratas. Bastava o eventual passageiro entrar num balão, ascender na vertical, esperar que a Terra girasse e, quando o lugar pretendido (à mesma latitude) estivesse por baixo, baixar simplesmente o balão.


FIOLHAIS, Carlos. Física Divertida.

Brasília, Universidade de Brasília, 2000. p. 38-39.

 

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